Um bebê chamado Emanuel nasceu na Suécia e, antes de completar um ano, as autoridades de imigração ordenaram sua deportação — sozinho — para o Irã, mesmo com a guerra em curso no país. Os pais dele tinham permissão de residência sueca válida, mas as regras mudaram depois que o bebê nasceu.
O problema é que as novas leis de imigração apertaram o cerco justamente no período em que a família estava em processo de regularização. Resultado: eles caíram numa espécie de labirinto kafkiano de exigências burocráticas criadas para dificultar ao máximo a permanência de imigrantes no país.
O autor, o jornalista sueco Martin Gelin, diz que 2022 marcou uma virada para o que ele chama de ‘nova era de crueldade’ na Suécia. Foi quando o país adotou uma política migratória muito mais dura, mudando o tom de uma nação historicamente conhecida pela abertura e pela solidariedade.
Essa mudança tem impacto real na vida de famílias como a de Emanuel, mas também representa uma transformação mais profunda na identidade do país. A Suécia que se orgulhava de ser um modelo de tolerância e direitos humanos está se tornando cada vez mais difícil de reconhecer.
Gelin deixa um recado no fim: não será uma eleição só que vai reverter esse caminho. Recuperar a Suécia tolerante de antes, segundo ele, vai exigir muito mais do que uma simples mudança de governo.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE