A administração Trump está impondo sua influência sobre boa parte da América Latina, e a maioria dos países da região — mesmo os que historicamente se dizem não alinhados — está cedendo às pressões de Washington. O recado é claro: ou você joga no nosso time, ou sofre as consequências.
Para dobrar os governos, os EUA não estão usando luvas: ameaças de sanções econômicas e cancelamento de vistos são as ferramentas preferidas da Casa Branca. Os temas centrais dessa pressão são o combate ao narcotráfico e o acesso a recursos naturais da região.
Essa postura lembra bastante a política externa americana de décadas atrás, quando Washington tratava a América Latina abertamente como seu ‘quintal’. A diferença é que agora isso acontece num mundo teoricamente mais multipolar e com instituições internacionais mais consolidadas.
O problema é que essa tutela está sendo exercida sem muita preocupação com o Estado de Direito — nem o dos países pressionados, nem os princípios do direito internacional. Ou seja, vale o que Washington quer, e ponto.
A tendência é que essa pressão continue enquanto Trump estiver no poder, especialmente em países com recursos estratégicos ou rotas de tráfico relevantes. Para os governos latino-americanos, o dilema é cada vez mais complicado: resistir pode sair caro, mas ceder tem um preço político interno alto.
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Fonte: LEMONDE