A França está num clima de desânimo generalizado enquanto a corrida para substituir Emmanuel Macron começa a esquentar. Com cada vez mais candidatos anunciando suas candidaturas à presidência, o humor do país está especialmente sombrio — e a popularidade de soluções extremistas nunca pareceu tão preocupante.
Se a eleição fosse hoje, a populista anti-imigração Marine Le Pen teria grandes chances de chegar ao Palácio do Eliseu. Ela surfa numa onda de desencanto dos eleitores com toda a classe política e num sentimento de que ‘já tentamos tudo o mais’. A primeira rodada está marcada para 18 de abril de 2027.
O escritor de viagens francês Sylvain Tesson já disse que a França ‘é um paraíso habitado por pessoas que acham que vivem no inferno’ — e essa frase nunca pareceu tão atual. O descontentamento com o sistema político como um todo é o pano de fundo dessa eleição que ainda nem começou de verdade.
O impacto disso tudo é que o espaço para soluções extremistas cresce junto com a frustração popular. Quanto mais a população sente que os partidos tradicionais falharam, mais apetitosa fica a proposta de quem promete ruptura total com o establishment.
Ainda assim, como lembra o analista Paul Taylor, fellow do European Policy Centre, muita coisa pode mudar até abril de 2027. A França é também um país de surpresas repentinas — e a eleição está longe de estar decidida.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE