O primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu visitou o arquipélago de Mayotte e anunciou reforços — tanto de pessoal quanto tecnológicos — para combater a imigração clandestina na região. A ilha, que fica no Oceano Índico e é território francês, é um dos pontos de entrada mais pressionados da Europa ultraperiférica.
Além dos reforços operacionais, Lecornu sinalizou uma medida bem mais polêmica: condicionar a ajuda ao desenvolvimento que a França oferece às Comores e a outros seis países africanos à cooperação desses países no combate à migração irregular. Na prática, quem não ajudar a segurar o fluxo pode perder dinheiro.
Mayotte vive há anos uma crise migratória intensa, em grande parte alimentada pela proximidade com as Ilhas Comores, de onde partem muitos dos migrantes que tentam chegar ao território francês em pequenas embarcações. A situação é considerada uma das mais críticas entre os territórios ultramarinos da França.
Se essa política de condicionalidade for de fato implementada, pode mudar bastante a relação da França com esses países africanos — e gerar atritos diplomáticos. Usar ajuda humanitária e ao desenvolvimento como moeda de troca é uma estratégia que divide opiniões tanto em Paris quanto nas capitais africanas.
Por enquanto, o anúncio ainda está na fase das declarações durante a visita oficial. O que vai se tornar política concreta — e como os países envolvidos vão reagir — é o que todo mundo vai acompanhar nos próximos meses.
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Fonte: LEMONDE