Em Firminy, no sudeste da França, moradores de um famoso edifício projetado por Le Corbusier estão sofrendo com temperaturas que chegam a 40°C dentro dos próprios apartamentos durante as ondas de calor do verão europeu. O problema é que o prédio é tombado como monumento histórico, o que limita drasticamente qualquer modificação — incluindo a instalação de persianas ou venezianas.
O edifício em questão é a Unité d’Habitation de Firminy, o último projeto do arquiteto suíço-francês Le Corbusier. A fachada e o telhado foram tombados como monumentos históricos em 1993, e dois terços dos apartamentos são habitações de interesse social (os chamados HLM, equivalente ao nosso aluguel acessível). Ou seja, quem mora lá geralmente não tem muitas opções de ir embora.
Firminy já enfrenta dificuldades há décadas: a cidade perdeu população com o fechamento de fábricas na região siderúrgica, e muitos moradores foram embora em busca de trabalho em cidades vizinhas como Saint-Étienne. O edifício de Le Corbusier é considerado um símbolo de orgulho local, mas essa distinção histórica tem um custo alto para quem vive lá.
A legislação francesa de preservação de patrimônio histórico impede que os moradores façam adaptações básicas para se proteger do calor, como instalar proteções solares nas janelas. Com as mudanças climáticas intensificando as ondas de calor na Europa, o que era pra ser uma habitação digna e inovadora se tornou praticamente inabitável no verão.
O caso levanta uma questão cada vez mais urgente: como equilibrar a preservação do patrimônio arquitetônico com as necessidades reais de quem mora nesses espaços em um clima que está mudando rapidamente? Por enquanto, os moradores de Firminy seguem esperando por respostas — e suando muito.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE