Suécia

Patinetes elétricos: o cigarro da nossa geração?

Um leitor sueco publicou uma carta no Dagens Nyheter comparando os patinetes elétricos ao cigarro — aquele hábito que todo mundo achava inofensivo até a ciência provar o contrário. A provocação é forte, mas os argumentos têm fundamento.

Peer Nordbäck, autor da carta, aponta que a indústria de tecnologia vende os patinetes como uma solução ecológica para o transporte urbano. O problema é que as pesquisas mostram uma realidade bem diferente: na prática, eles substituem principalmente caminhadas e pedaladas — e não carros ou transporte público.

O histórico aqui importa: a comparação com o tabaco não é só dramática, é metodológica. Assim como o cigarro levou décadas para ser reconhecido como vilão da saúde pública, os efeitos do sedentarismo incentivado pelos patinetes podem demorar uma geração inteira para aparecer nas estatísticas.

Nordbäck prevê que, daqui a 30 anos, a Agência de Saúde Pública da Suécia (Folkhälsomyndigheten) vai olhar para trás com horror: uma geração marcada por inatividade crônica, pressão alta e as consequências de dezenas de milhares de lesões na cabeça acumuladas ao longo dos anos.

O texto é uma carta de leitor, não um estudo científico, mas levanta um debate que vai além da Suécia — afinal, os patinetes elétricos invadiram as calçadas de boa parte das cidades europeias. Vale a reflexão: será que estamos trocando saúde por conveniência sem nem perceber?

Tags: patinetes elétricos, saúde pública, mobilidade urbana, sedentarismo

Fonte: DN_SE

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