Nas últimas eleições suecas, o Partido de Esquerda teve um desempenho surpreendentemente forte nos subúrbios com alta concentração de imigrantes. A explicação que circula agora entre alguns políticos e analistas é que isso teria acontecido por causa de desinformação e propaganda do medo contra os partidos do chamado ‘Acordo de Tidö’.
Essa narrativa sugere que os eleitores dessas regiões foram enganados ou manipulados, e não que fizeram uma escolha consciente e legítima. É basicamente dizer que quem votou ‘errado’ não sabia o que estava fazendo — o que, convenhamos, é bem condescendente.
A colunista Anna Hedenmo, jornalista e colunista independente na página de opinião do Dagens Nyheter, levanta uma hipótese bem mais simples: e se esses eleitores simplesmente não quiseram apoiar um governo que expulsa adolescentes integrados à sociedade sueca?
O governo apoiado pelo Acordo de Tidö, que inclui os Democratas Suecos, adotou uma política de imigração bastante rígida — inclusive com casos de deportação de jovens que cresceram na Suécia e estavam bem integrados. Para muitos moradores desses subúrbios, isso não é abstrato: é a realidade dos vizinhos, colegas de escola e amigos.
A coluna, portanto, joga uma pulga atrás da orelha: antes de culpar desinformação, talvez valha perguntar se o problema não é a própria política. Afinal, às vezes as pessoas votam com base no que vivem — e não por terem sido enganadas.
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Fonte: DN_SE