A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, trouxe uma surpresa para o seu discurso anual sobre o Estado da União no Parlamento Europeu: o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, sentado na plateia como convidado especial. O gesto foi celebrado com uma ovação de pé — e rendeu ao Canadá um status inédito de ‘membro associado’ da UE, categoria que, vale dizer, foi inventada na hora.
Carney atravessou o Atlântico para mostrar que o Canadá e a Europa compartilham valores e querem se aproximar. O país vive uma guerra comercial não desejada com os Estados Unidos, seu vizinho muito maior e, no momento, bem menos amigável — o que faz da Europa uma parceira natural e bem-vinda.
O analista Paul Taylor, fellow sênior do European Policy Centre, reconhece que o simbolismo do momento é real: ver um líder democrático liberal recebido de braços abertos em Bruxelas tem seu valor, especialmente num período de tensões geopolíticas. Mas ele alerta que o tal ‘membro associado’ não passa de um título sem conteúdo definido.
Além do moral elevado e do brilho político de Carney, a nova categoria não traz obrigações, direitos ou mecanismos concretos — pelo menos não ainda. Na prática, é mais uma declaração de intenções do que uma mudança real na relação entre os dois lados do Atlântico.
A grande questão que fica é se esse tipo de gesto diplomático vai além do afeto mútuo e contribui de fato para resolver os desafios de segurança que a Europa enfrenta. Por ora, a resposta parece ser não — mas o jantar foi bonito.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE