No dia 6 de setembro, o AfD — partido de extrema-direita, anti-imigração e pró-Kremlin — venceu com folga as eleições na Saxônia-Anhalt, estado no leste da Alemanha. O partido ficou com impressionantes 44% dos votos, com recorde de participação eleitoral, tornando-se o maior partido do parlamento estadual. Se conseguir chegar ao governo, será o primeiro partido de extrema-direita a governar um estado alemão desde a era nazista.
A jornalista Carolin Würfel, ela mesma de origem da Alemanha Oriental, conta que passou dias imersa em vídeos, reportagens e entrevistas tentando entender o que levava aquelas pessoas a votar no AfD. Para ela, não eram estranhos: poderiam ser parentes, amigos dos pais, ex-professores, colegas de escola.
A tese que ela defende é que não se trata de uma suposta herança cultural de amor à ditadura — explicação que circula bastante no debate público alemão. A questão é mais ligada à política do ressentimento, que cresceu no leste do país após a reunificação, quando muitos moradores sentiram que foram deixados para trás econômica e socialmente.
Mas Würfel não poupa o lado ocidental da história: os alemães do oeste também têm perguntas difíceis a responder sobre como trataram — e ainda tratam — os conterrâneos do leste desde a queda do Muro. O sentimento de ser cidadão de segunda classe alimenta raiva, e a raiva encontrou um endereço no AfD.
O cenário na Saxônia-Anhalt acende um alerta para toda a Alemanha e para a Europa. Com o AfD consolidando força eleitoral em estados do leste, o debate sobre como reconquistar esses eleitores — sem normalizar o discurso de ódio — deve esquentar bastante nos próximos meses.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE