A Turquia é o único país candidato à União Europeia cujos cidadãos ainda precisam de visto para entrar no bloco — e essa situação criou um ambiente fértil para abusos, mercado negro e muita frustração. Enquanto outros países em processo de adesão já têm seus nacionais circulando livremente pela Europa, os turcos seguem presos numa burocracia que virou pesadelo.
O problema ganhou contornos sérios com o surgimento de bots e serviços pagos que ‘sequestram’ as vagas de agendamento nos consulados europeus antes mesmo que os cidadãos comuns consigam acessá-las. Quem não paga acaba sem horário disponível por semanas ou meses — e quem tem pressa precisa desembolsar uma grana extra para furar essa fila virtual.
Essa situação não é nova: as negociações sobre liberalização de vistos entre a Turquia e a UE arrastam-se há anos, com promessas que nunca se concretizam. O acordo de 2016 entre Ancara e Bruxelas, que previa facilitar a circulação dos turcos em troca de cooperação na crise migratória, nunca saiu do papel no que diz respeito aos vistos.
O impacto econômico é real: turistas, estudantes e profissionais turcos que desistem do processo ou são barrados representam milhões de euros que deixam de circular na economia europeia. Sem falar no desgaste diplomático e na sensação, do lado turco, de estar sendo tratado como cidadão de segunda categoria mesmo sendo candidato oficial à UE.
Com as relações entre Turquia e Europa em compasso de espera — e sem sinal claro de avanço nas negociações de adesão —, a tendência é que esse mercado paralelo de vistos continue crescendo. Enquanto não houver uma solução política de verdade, quem paga a conta é o cidadão turco comum, preso entre a burocracia e os atravessadores digitais.
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Fonte: ELPAIS