A menos de 600 mil dias das eleições, a Suécia está na mira de uma operação coordenada de desinformação vinda de longe. Uma investigação conjunta da SVT, da empresa Trollrensics e da organização Alliance4Europe revelou que milhares de contas falsas baseadas em países africanos, como Nigéria e Benin, estão agindo de forma orquestrada nas redes sociais suecas.
O esquema funciona assim: esses perfis falsos passam a seguir em massa usuários suecos selecionados, numa estratégia conhecida como ‘troll swarm’ — ou seja, um enxame de trolls. O objetivo é amplificar determinadas mensagens e dar a impressão de que certas ideias têm muito mais apoio popular do que realmente têm.
Esse tipo de operação não é novidade no cenário global, mas chama atenção o fato de as contas estarem concentradas em países da África Ocidental, a mais de 6 mil quilômetros da Suécia. Isso levanta questões sobre quem está por trás da iniciativa e quais interesses políticos ela serve.
Segundo especialistas ouvidos pela investigação, a ação representa um risco real para o debate político sueco: mensagens extremistas podem ganhar visibilidade artificial, e a percepção pública sobre quais opiniões são majoritárias pode ser distorcida — justamente às vésperas de um período eleitoral.
A tendência é que esse tipo de interferência digital continue sendo monitorado de perto pelas autoridades e organizações de checagem europeias. O caso sueco serve de alerta para outros países do continente sobre a sofisticação crescente das campanhas de desinformação coordenadas internacionalmente.
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Fonte: SVT_NYHETER