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Como o Brasil virou referência mundial em banco de leite materno — e por que o mundo inteiro deveria prestar atenção

O Brasil tem a maior rede pública de bancos de leite materno do mundo, com 230 centros de distribuição espalhados pelo país. Enquanto outros lugares estão vendo surgir mercados privados desse alimento, o gigante sul-americano trata o leite doado como um bem público — e isso faz uma diferença enorme na vida de centenas de milhares de bebês.

A rede funciona com doações voluntárias de mães que produzem mais leite do que seus filhos precisam. Esse leite é coletado, processado e distribuído gratuitamente para recém-nascidos prematuros ou em situação de vulnerabilidade, que não têm acesso ao leite da própria mãe. Todo o processo é gerenciado pelo Estado, sem fins lucrativos.

O modelo brasileiro começou a se estruturar décadas atrás e foi crescendo até se tornar referência internacional. Outros países, especialmente os mais ricos, ainda engatinham nesse tema — e em alguns lugares o leite materno de doadora já virou produto à venda, o que levanta questões éticas sérias sobre quem tem acesso e quem não tem.

O impacto é concreto: bebês que receberiam fórmula industrializada — muitas vezes inferior para casos delicados — passam a ter acesso a leite humano de verdade, o que melhora as chances de sobrevivência e desenvolvimento, especialmente dos prematuros. Para famílias em situação de pobreza, isso pode ser literalmente a diferença entre a vida e a morte.

Com o interesse global crescendo, o Brasil tem sido procurado por outros países que querem entender como replicar o modelo. A questão que fica no ar é se o mundo vai seguir o caminho do bem público — como fez o Brasil — ou deixar que o mercado decida quem merece ser alimentado.

Tags: leite materno, saúde pública, brasil, bebês, banco de leite

Fonte: ELPAIS

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