Tem uma ideia que os italianos não conseguem largar: construir uma ponte ligando a Sicília ao continente, cruzando o estreito de Messina. O projeto foi revivido mais uma vez pelo ministro da infraestrutura Matteo Salvini, em 2022, que chegou a dizer que as travessias de balsa custam mais caro por ano do que custaria construir a ponte inteira.
A obsessão não é nova, não. Segundo o escritor romano Plínio, o Velho, já em 251 a.C. os romanos construíram uma ponte de barcos e barris para atravessar o estreito — e foi por ela que passaram 140 elefantes de guerra capturados dos cartagineses. Ou seja, a ideia tem literalmente mais de dois milênios.
Depois dos romanos, o projeto foi abraçado por nomes bem diferentes: o ditador fascista Benito Mussolini e, mais recentemente, o ex-primeiro-ministro de direita Silvio Berlusconi, que chegou a transformar a ponte em uma espécie de obra-símbolo do seu governo.
Apesar de toda essa história, o projeto enfrenta críticas sérias. Especialistas apontam que a obra seria inviável na prática, e moradores locais têm protestado contra a ideia — seja por questões ambientais, econômicas ou simplesmente pela desconfiança de que a ponte algum dia saia do papel de verdade.
Por enquanto, a ponte do estreito de Messina segue sendo um dos maiores ‘e se?’ da engenharia europeia. Com Salvini empurrando o projeto dentro do governo italiano, o debate voltou à tona — mas se desta vez a história vai ser diferente, ainda é uma grande incógnita.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE