Um dos medicamentos mais promissores contra o HIV, o lenacapavir, desenvolvido pela farmacêutica Gilead, ainda não chegou aos países da América Latina — mesmo sendo considerado um avanço revolucionário no tratamento e prevenção da doença. Países como Brasil, México e Peru estão na fila de espera e pressionando por acesso.
O detalhe que pega: esses mesmos países participaram dos ensayos clínicos que comprovaram a eficácia do remédio. Ou seja, ajudaram a testar o medicamento, mas até agora não receberam nenhuma dose para uso real na população.
O lenacapavir chama atenção porque é aplicado apenas duas vezes por ano, em forma de injeção, o que facilita muito o tratamento em comparação com os comprimidos diários tradicionais. Isso faz dele uma ferramenta especialmente importante em regiões com dificuldade de acesso contínuo a medicamentos.
A pressão dos países latino-americanos é para que a patente do medicamento seja quebrada, o que permitiria a produção de versões genéricas mais baratas e acessíveis. Sem isso, o custo do lenacapavir original coloca o remédio fora do alcance de boa parte da população que mais precisa.
Por enquanto, não há uma data definida para que o acesso seja liberado na região. A bola está com a Gilead e com as negociações internacionais — e os ativistas de saúde já avisaram que vão continuar fazendo pressão até que o remédio chegue a quem precisa.
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Fonte: ELPAIS