No último fim de semana, uma van foi jogada contra a multidão durante a Parada do Orgulho de Berlim, num ataque que chocou a Alemanha. Logo depois, políticos alemães do mainstream saíram em fila para declarar que o atentado foi contra ‘todos nós’, ‘nossos valores’ e ‘nossa sociedade’.
Mas a escritora Fatma Aydemir, em artigo no The Guardian, questiona essa narrativa. Para ela, o ataque foi, antes de tudo, contra a comunidade queer — um grupo vulnerável que luta por direitos há décadas e que, nos últimos anos, tem sido cada vez mais alvo de forças conservadoras ao redor do mundo.
A crítica vai além das palavras bonitas. Aydemir aponta que a mesma classe política que agora aparece com flores e discursos de solidariedade é responsável por decisões que, na prática, retiraram recursos e proteção da comunidade LGBTQIA+.
O argumento central é o da hipocrisia: usar um ataque contra minorias como plataforma de unidade nacional, sem reconhecer que essas minorias foram enfraquecidas por políticas dos próprios líderes que falam em solidariedade. O roteiro, segundo a autora, parece bem ensaiado.
O texto levanta uma questão que tende a aparecer sempre após tragédias desse tipo: até que ponto a solidariedade expressa publicamente se traduz em mudanças reais para quem mais precisa de proteção? Por enquanto, a comunidade queer alemã aguarda respostas que vão além dos discursos.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE