O parlamento francês aprovou um projeto de lei que reautoriza o uso de dois pesticidas do grupo dos neonicotinoides, que estavam banidos no país. A medida permite que agricultores voltem a usar essas substâncias para combater doenças que destroem plantações — mas apicultores e ambientalistas estão com a pulga atrás da orelha, e com razão.
O problema é que cientistas alertam que esses pesticidas são tóxicos para as abelhas. A apicultora Carolyn Bouguet, que trabalha em Essonne, na Grande Paris, resumiu bem o clima: ‘Não há palavras para descrever a frustração.’ Ela lembrou que as populações de abelhas já estão sofrendo com as mudanças climáticas, novos parasitas e perda de habitat — e agora vem mais essa.
Os neonicotinoides são uma classe de inseticidas amplamente usados na agricultura, mas que ganharam fama negativa por seus efeitos nocivos sobre insetos polinizadores. A França havia proibido o uso dessas substâncias justamente por causa dos riscos às abelhas, seguindo uma tendência europeia de restrição a pesticidas considerados perigosos para a biodiversidade.
Sindicatos do setor apícola alertam que a volta dos pesticidas pode matar abelhas em larga escala e, consequentemente, reduzir a produção agrícola — uma ironia, já que a medida foi aprovada para proteger as colheitas. Ambientalistas classificaram a decisão como ‘escandalosa, irracional e irresponsável’.
Agora, o debate deve se intensificar na França e pode reacender discussões em nível europeu sobre os limites do uso de agrotóxicos. Fica a pergunta no ar: até quando os interesses agrícolas de curto prazo vão se sobrepor à saúde dos ecossistemas?
Tags: abelhas, pesticidas, meio ambiente, agricultura, frança
Fonte: GUARDIAN_EUROPE