Depois da morte chocante de Lyhanna, uma menina de 11 anos vítima de estupro e assassinato, a França decidiu colocar os crimes sexuais contra crianças no topo da lista de prioridades. Desde junho, já foram reabertos 1.350 casos e 675 pessoas foram detidas como resultado dessa reviravolta nas investigações.
O estopim foi a descoberta de negligências graves no próprio caso da Lyhanna. O ministro da Justiça determinou então a revisão de cerca de 70.000 denúncias que estavam paradas, sem andamento — um número que por si só já diz muito sobre o tamanho do problema.
A situação expôs uma falha sistemática no tratamento desse tipo de crime no país. Denúncias engavetadas, processos travados: o caso da menina jogou luz sobre uma realidade que muita gente preferia não enxergar.
Com a operação em curso, o impacto já é visível nos números: centenas de detidos em poucos meses mostram que, quando há vontade política e revisão dos arquivos, os resultados aparecem. A pressão da opinião pública claramente pesou na decisão das autoridades.
Agora, o desafio é manter esse ritmo e garantir que a reviravolta não seja apenas uma resposta emergencial ao escândalo, mas uma mudança real e duradoura na forma como a França lida com crimes sexuais contra crianças.
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Fonte: ELPAIS