Ekrem İmamoğlu, prefeito eleito de Istambul em 2019 e candidato declarado às eleições presidenciais turcas de 2028, está preso e sendo julgado por acusações de fraude e crime organizado. O processo pode se arrastar por até 12 anos — e ele está cumprindo tudo isso atrás das grades, na famosa prisão de Silivri.
Silivri não é qualquer cadeia: é o maior complexo prisional da Europa, construído entre 2005 e 2008, com oito unidades fechadas e uma prisão aberta onde fica o tribunal. Fica nos arredores de Istambul, numa região que já foi conhecida por casas de campo e fazendas familiares — bem diferente da fama pesada que ganhou nos últimos anos.
Entre jornalistas, políticos e ativistas turcos, existe um ditado que todo mundo conhece: ‘Silivri é fria’. A frase virou código para quem critica o governo do presidente Recep Tayyip Erdoğan — uma forma de lembrar que uma palavra errada pode mandar alguém para lá, onde é possível esperar meses antes de ver um juiz.
O caso de İmamoğlu é visto por muitos como mais um capítulo da pressão do governo Erdoğan sobre a oposição. Ele era um dos nomes mais fortes para desafiar o presidente nas urnas, e sua prisão gerou protestos e repercussão internacional.
Com um julgamento que pode durar mais de uma década, a situação de İmamoğlu levanta sérias questões sobre o estado da democracia na Turquia. Por enquanto, o que se sabe é que o processo está longe de terminar — e que Silivri continua fria.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE