França

Le Pen condenada, mas mais perto do poder do que nunca

Marine Le Pen perdeu o recurso no julgamento por desvio de verbas públicas e saiu do tribunal com uma condenação mantida, uma multa de 100 mil euros e o restante da pena de prisão convertido em tornozeleira eletrônica. Ou seja: ela é uma criminosa condenada pela justiça francesa — mas ainda pode disputar a presidência.

Assim que o juiz leu a sentença, a França entrou em modo de ‘mas espera’: salas de estar e grupos de WhatsApp fervilharam com perguntas como ‘ela pode mesmo concorrer ao Eliseu?’, ‘e a tornozeleira?’ e ‘o que acontece com Jordan Bardella?’. Por algumas horas, pareceu que o tribunal de apelação tinha dado um golpe certeiro ao confirmar a condenação sem deixar brechas.

Le Pen lidera o Rassemblement National (RN), o partido de extrema-direita francês, e há anos é apontada como favorita para chegar ao segundo turno da eleição presidencial. A condenação por desvio de fundos do Parlamento Europeu para pagar assessores que, na prática, trabalhavam para o partido já era conhecida — mas a sentença final ainda gerava dúvidas sobre sua elegibilidade.

O problema maior, segundo analistas, é que mesmo condenada e com tornozeleira, Le Pen segue sem um adversário político crível à altura. A esquerda fragmentada e o centro enfraquecido deixam o caminho para o Eliseu mais aberto do que em qualquer outro momento recente. A tornozeleira virou símbolo, mas não necessariamente um obstáculo eleitoral.

A eleição presidencial francesa ainda está no horizonte, mas o cenário já preocupa quem acompanha o avanço do populismo na Europa. Afinal, como lembra a pesquisadora Catherine Fieschi, da Carnegie Europe, Le Pen e figuras como Nigel Farage compartilham um mesmo manual: transformar condenações em combustível de campanha e se apresentar como vítimas do sistema.

Tags: marine le pen, eleições france, extrema-direita, populismo, rassemblement national

Fonte: GUARDIAN_EUROPE

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