Descendentes de mulheres internadas no Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais, estão indo à Justiça para responsabilizar o Estado brasileiro pelo que aconteceu com suas mães e avós. O local ficou conhecido como o ‘manicômio do horror’ — um dos episódios mais sombrios da história do país, onde cerca de 60 mil pessoas morreram em condições desumanas ao longo do século XX.
Essas famílias contam como foi descobrir, muitas vezes já adultas, que tinham parentes internados naquele lugar. A revelação veio com choque e dor: muitas das vítimas foram mandadas para lá não por doenças mentais graves, mas por serem consideradas ‘inconvenientes’ pela sociedade da época — mulheres que engravidaram fora do casamento, pessoas pobres, negras, epilépticas ou simplesmente diferentes.
O Colônia funcionou por décadas como um depósito humano. Pacientes viviam sem roupas, sem comida suficiente, sem cuidados básicos. Havia relatos de torturas, experimentos e mortes que nunca foram devidamente investigadas. A história só ganhou grande repercussão no Brasil depois do livro e do documentário ‘Holocausto Brasileiro’, da jornalista Daniela Arbex.
Ao entrar na Justiça, os descendentes buscam não só reparação financeira, mas principalmente reconhecimento oficial do que foi feito. Para eles, o sofrimento das vítimas — e o silêncio que veio depois — representou, nas palavras de um deles, ‘uma vida inteira de castigo’. A luta é também para que a história não seja esquecida.
O processo judicial ainda está em andamento, e não há previsão de quando haverá uma decisão. Mas para essas famílias, já chegar aos tribunais é um passo importante. A expectativa é que o caso pressione o Estado a reconhecer formalmente sua responsabilidade e abra caminho para outros descendentes que vivem situação semelhante.
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Fonte: ELPAIS