Uma investigação que começou com o assalto a um museu na Borgonha acabou revelando algo muito maior: um suposto plano para matar Hichem Aboud, opositor argelino e ex-membro da inteligência da Argélia que vive na França. Quatro suspeitos foram indiciados em 23 de maio por ‘tentativa de homicídio terrorista’.
O caso mistura crime organizado francês com suspeitas de operação estrangeira — ou seja, a hipótese de que o governo argelino pode estar por trás da trama. As conversas interceptadas pelos investigadores revelaram linguagem codificada, com referências a ‘apagar um pélo’, ‘manejar a guitarra’ e ‘atirar’, sugerindo um plano elaborado de eliminação.
Hichem Aboud é uma figura conhecida na oposição argelina. Ex-integrante do serviço de inteligência do país, ele se tornou um crítico aberto do regime e vive na França, onde atua como jornalista e ativista político. Casos de perseguição a dissidentes argelinos no exterior não são novidade, mas raramente chegam a esse nível de detalhamento judicial.
A descoberta do complô durante uma investigação sobre roubo mostra como as autoridades francesas tropeçaram num caso potencialmente gravíssimo de interferência estrangeira. Se confirmada a ligação com o Estado argelino, o episódio pode criar uma crise diplomática entre Paris e Argel, relação já historicamente turbulenta.
Com quatro suspeitos indiciados e o inquérito em andamento, a Justiça francesa agora precisa apurar até onde vai a cadeia de comando. A questão central é se isso foi uma iniciativa de criminosos comuns contratados ou parte de uma operação chancelada por Argel — e essa resposta pode demorar, mas vai importar muito.
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Fonte: LEMONDE