Reino Unido

Dez anos depois do Brexit, a Irlanda ainda sente os tremores — e pode sentir mais

Dez anos após o referendo do Brexit, o colunista irlandês Fintan O’Toole reflete sobre como a Irlanda viveu esse período: tentando fazer o melhor possível numa situação ruim, mas sempre consciente do estrago que um governo britânico irresponsável e reacionário foi capaz de causar.

Para os mais fervorosos defensores do Brexit, a Irlanda sempre foi a vilã da história — aquela que teria atrapalhado tudo com sua ‘obstrução maliciosa’, impedindo que as promessas de liberdade e prosperidade se realizassem. O’Toole chama essa narrativa de pura bobagem.

Para entender por que esse argumento não faz sentido, ele propõe voltar cinco anos antes do referendo de 2016. Em maio de 2011, a Rainha Elizabeth fez uma visita de Estado de quatro dias à Irlanda — algo que parece simples, mas que não acontecia há quase cem anos, já que nenhum monarca britânico reinante havia pisado na República desde então.

Essa visita simbolizava um momento de reconciliação e virada histórica nas relações entre os dois países, depois de séculos de conflito. O Brexit, na visão do autor, jogou água fria nesse processo ao reabrir feridas e criar novas tensões, especialmente em torno da fronteira na Irlanda do Norte.

Agora, com os ‘tremores’ do fracasso do Brexit ganhando força, a Irlanda olha para o futuro com apreensão. O que um novo ciclo de instabilidade política britânica pode significar para a ilha vizinha é uma pergunta que, segundo O’Toole, os irlandeses têm muito boas razões para temer.

Tags: brexit, irlanda, reino unido, política europeia

Fonte: GUARDIAN_EUROPE

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