Suécia

Adam foi um ‘soldado da honra’ — e hoje se arrepende

Uma investigação da televisão pública sueca SVT revelou que meninos vítimas de violência relacionada à honra familiar estão sendo deixados sem proteção mesmo durante investigações policiais em andamento. Dois em cada três meninos permanecem nas casas suspeitas, enquanto a maioria das meninas é retirada do ambiente familiar.

A desigualdade no tratamento entre meninos e meninas chama atenção: o serviço social sueco parece enxergar as meninas como vítimas mais óbvias nesses casos, enquanto os meninos acabam sendo vistos também como potenciais agressores — o que faz com que muitos fiquem sem o amparo necessário.

Adam, que hoje dá palestras sobre sua própria história, viveu essa realidade na pele. Ele foi usado pela família como uma espécie de ‘soldado da honra’, executando ações que ele mesmo não queria praticar. ‘Nós, meninos, somos ao mesmo tempo vítimas e agressores’, ele conta.

O caso levanta um debate importante sobre como o sistema de proteção à criança na Suécia lida com a complexidade da violência de honra, que pode colocar os meninos em papéis contraditórios — forçados a perpetuar uma cultura que também os oprime.

Especialistas e ativistas devem pressionar por uma revisão na forma como o serviço social avalia o risco para meninos nessas situações. A expectativa é que a reportagem da SVT aumente a pressão sobre as autoridades para tratar meninos e meninas com o mesmo nível de atenção e proteção.

Tags: violência de honra, suécia, serviço social, proteção infantil

Fonte: SVT_NYHETER

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