França

Sob as tendas do metrô Stalingrad, em Paris, refugiados vivem um ‘errante’ sem fim

Embaixo do viaduto do metrô Stalingrad, no 10º arrondissement de Paris, existe um acampamento informal onde muitos exilados passam os dias — e as noites. São pessoas que, apesar de terem conseguido o status de refugiado, acabaram na rua por falta de moradia e emprego.

Segundo o Escritório Francês de Imigração e Integração (OFII), cerca de um terço das pessoas em situação de rua na capital francesa já possui o reconhecimento oficial de refugiado. Ou seja, não são casos de quem ainda aguarda uma resposta do governo — são pessoas com documentação, mas sem estrutura para seguir em frente.

O paradoxo é grande: conseguir o status de refugiado na França é visto como uma vitória, o fim de uma longa batalha burocrática. Mas, na prática, isso não garante automaticamente um teto ou uma fonte de renda. Sem rede de apoio, muitos acabam despencando direto para a rua.

O acampamento do metrô Stalingrad não é novidade — a região é conhecida há anos como ponto de concentração de migrantes e refugiados em situação vulnerável. Mesmo com operações periódicas de desocupação pelas autoridades, o local volta a se formar, porque o problema estrutural de falta de moradia acessível persiste.

Enquanto o debate sobre imigração segue aquecido na política francesa, a cena embaixo do viaduto lembra que parte do desafio não está na chegada dessas pessoas ao país, mas no que acontece depois — quando o papel está na mão, mas a vida ainda não tem onde se apoiar.

Tags: refugiados, paris, moradia, imigração, exclusão social

Fonte: LEMONDE

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