Rafael Behr, colunista do Guardian, traça um paralelo interessante entre Vladimir Putin e Donald Trump: os dois são líderes que se vendem como salvadores da pátria e estão atolados em conflitos que não conseguem vencer — mas também não sabem como sair sem parecer perdedores.
A comparação vale para duas guerras bem diferentes: a invasão russa da Ucrânia e o envolvimento americano com o Irã. Segundo Behr, o que une os dois casos é uma espécie de ‘culto à infalibilidade’ — nenhum dos dois líderes consegue admitir, nem para si mesmo, que cometeu um erro estratégico.
No caso de Putin, os números falam por si. A tal ‘operação militar especial’, que era pra durar semanas e tomar Kiev rapidinho, já se arrasta por mais tempo do que a Primeira Guerra Mundial. O Exército Vermelho soviético repeliu a invasão nazista e chegou a Berlim em menos tempo do que Putin levou para ocupar uma fatia do leste ucraniano — e sem avanços significativos desde então.
O custo humano e financeiro é brutal: trilhões de rublos gastos e centenas de milhares de vidas perdidas, segundo chefes de inteligência britânicos. E tudo isso sem nenhum ganho claro em termos de ‘grandeza nacional’, que era a promessa original.
A análise de Behr aponta para uma armadilha comum entre líderes autoritários: quanto mais o ego está em jogo, mais difícil fica reconhecer o fracasso e buscar uma saída. O resultado? Conflitos que se prolongam muito além do razoável, pagos com sangue alheio.
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Fonte: GUARDIAN_EUROPE