França

França começa a assumir seu papel no tráfico de escravos — mas ainda tem muito a reparar no Caribe

No dia 21 de maio, o presidente Emmanuel Macron discursou no Palácio do Eliseu para marcar os 25 anos da lei Taubira, que reconheceu a escravidão como crime contra a humanidade na França. O evento terminou com a soprano negra Leïla Brédent, natural da Guadalupe, cantando a Marseillaise — um momento carregado de simbolismo.

O detalhe não passou despercebido: a própria construção do Palácio do Eliseu foi financiada por um magnata escravagista do século XVIII. Ou seja, o cenário escolhido para o discurso carrega, literalmente nas paredes, a herança que a França tenta reconhecer.

A lei Taubira, aprovada em 2001, foi um passo importante — foi a primeira vez que a França reconheceu oficialmente o tráfico e a escravidão como crimes contra a humanidade. O famoso Código Negro (Code Noir), conjunto de leis que regulamentava a escravidão nas colônias francesas, já não existe mais, mas seu legado continua bem vivo.

O problema é que reconhecer não é o mesmo que reparar. Guadalupe e Martinica, territórios ultramarinos franceses no Caribe, ainda convivem com as consequências históricas da escravidão — desigualdades sociais, econômicas e culturais que se arrastam por gerações.

A grande questão agora é: depois de assumir a culpa, o que a França vai fazer de concreto? O discurso de Macron pode ser visto como mais um gesto simbólico, mas a pressão por medidas reais de reparação e reconhecimento histórico para as populações caribenhas tende a crescer.

Tags: escravidão, frança, caribe, reparação histórica, martinica

Fonte: GUARDIAN_EUROPE

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